segunda-feira, 25 de abril de 2011

Adolfo Bezerra de Menezes, o profeta filósofo do Ceará.


A cada século e em cada nação Deus permite nasçam homens e mulheres especiais, que pela sua depuração completa e ascensão intelectual arrastam multidões; verdadeiros clarões na noite, fazem valer as palavras poéticas de Atos:
                                                                      Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor”. (Atos, 11:24)
        
Conhecido como doutor, renomado pela caridade com que procedia no atendimento dos mais pobres que acorriam às centenas ao seu consultório, o gênio cearense radicado por muitas décadas na capital imperial não era menos notado em sua própria época pela estatura intelectual.
Dominando à perfeição línguas clássicas e modernas, com predileção pelo francês e pelo latim, estendendo sua compreensão a todas as sutilezas da ciência médica e da filosofia espírita, tendo elaborado um tratado minucioso sobre a influencia espiritual nas patologias psiquiátricas e um não menos brilhante estudo filosófico-teológico que engloba temas tão melindrosos quanto a filosofia alexandrina e um extenso domínio da teologia e da história da Igreja católica, o nosso pensador completo e profícuo bem mereceria também a alcunha de filósofo, e isto no sentido mais tradicional da Antiguidade, quando o nome indicava a posse de um saber panorâmico.
Bezerra de Menezes popularizou-se como doutor, mas é possível que tenha trabalhado mais como deputado e vereador em seus vários mandatos; e se o seu papel político não foi o de um Rui Barbosa ou de um Rio Branco, é bem verdade que participou de forma decisiva na melhoria das condições urbanas do Rio de Janeiro. Palestrando e estudando os problemas da causa abolicionista, defendendo pioneiramente os direitos trabalhistas, preocupando-se em proteger os trabalhadores contratados com a obrigatoriedade do aviso prévio de 30 dias, apoiando as causas da saúde pública e da educação, chegou a exercer grande influência nas câmaras em que atuou. Foi talvez o primeiro a se incomodar seriamente com a poluição causada pelo lixo urbano. Enfim, um dos membros da vanguarda do partido liberal.
Como empresário tomou parte de diversos programas, presidindo alguns deles, que em muito contribuíram para a implantação de linhas férreas e bondes em todo o estado do Rio de Janeiro.
É fácil aparentar humildade quando não se possui nem título, nem reconhecimento, nem cargos de relevo ou autoridade. Qualquer um imagina-se modesto perdido na multidão. Ser reconhecido como sumidade da cultura, doutor, Sua Excelência, ostentando publicamente os brasões do mérito pessoal e da sociedade, e ainda assim manter-se de cenho grave e atitude servil é tarefa para pouquíssimos.
Cícero e Goethe foram pensadores universais; ambos acumularam as atividades de político, poeta, cientista e filósofo, enriquecendo para sempre as comunidades em que viviam e tudo dedicando à glória de seu povo. Não souberam, entretanto, esquivar-se da vaidade pessoal ou conciliar a benemerência que praticavam no campo da cultura à caridade cotidiana no trato com subordinados ou para com os mais simplórios que não podiam desfrutar de suas conquistas sofisticadas no campo das letras e das ciências.
Também entre os santos e mártires, em contrapartida, não nos ocorre um único que tenha conciliado de modo tão completo a virtude estoica e o sentimento compassivo à uma estatura intelectual de impacto sobre a cultura e as instituições.
Bezerra de Menezes deve ser ainda descoberto em sua inteira grandeza, ficando como marco referencial para as gerações futuras que, conforme acreditamos, buscarão resgatar a sua biografia na intenção de extrair dela um dos modelos mais perfeitos para a evolução do espírito humano.

Um comentário:

  1. Ótima contribuição para que possamos conhecer mais sobre a vida do homem que foi Bezerra de Menezes, pois sabemos que é um dos espíritos mais evoluídos que conhecemos.

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